Mulher

Mulher 

“(...) A mulher madura é assim:
Tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. (...)
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história.
Inscrições se fizeram em sua superfície. (...)”
Trecho do poema “A Mulher Madura”, de Affonso Romano de Sant’Anna

                   Apesar da revolução sexual, deflagrada nos anos 60, a maioria de nós mulheres vive imersa numa moral baseada na ignorância, no medo, na culpa e na vergonha, tanto no que diz respeito à sexualidade, quanto no que diz respeito ao corpo. Contudo, devido a nossa crescente participação nos meios de produção, vem surgindo uma nova perspectiva pautada no conhecimento, na liberdade e na responsabilidade.

Vale dizer que essa busca é um anseio humano, abrange todas as pessoas, sem distinção de sexo e idade, pois o que se procura de fato é viver em harmonia, e isso só é possível à medida que se rompe com as barreiras do obscurantismo, da ignorância e da vergonha.

                        “Crescei e multiplicai-vos”. Essa afirmação milenar traduz a visão da nossa cultura: alcançar a idade madura e procriar. Entretanto, podemos entender que crescer não se restringe ao aspecto reprodutivo, mas envolve também o aspecto pessoal.
Crescer como pessoa significa receber a si mesmo; reconhecer a sua história vivida que se encontra “escrita” no corpo, como diz o poeta.
Isso só é possível se se viver uma relação de amor consigo mesma, para assim compartilhar, de forma profunda e plena em um segundo momento, este amor com alguém.

                    Apesar de nós mulheres ansiarmos por liberdade e autonomia, ainda estamos ancoradas a padrões antigos de submissão, decorrentes de séculos de repressão. Tais padrões socioculturais cultivam a vergonha, a culpa e os medos que se constituem nos principais obstáculos na conquista de uma integridade sexual e emocional. Quantas de nós não lutamos obstinadamente contra o próprio corpo, a fim de nos enquadrarmos em um modelo estético determinado pela sociedade? Também nos é cobrada uma performance sexual fantástica, em que o orgasmo passa a ser uma obrigação. Só que toda obrigação gera ansiedade e medo, fazendo com que a experiência de prazer sexual e/ou orgasmo fique muito longe de ser alcançada. Vale dizer que, há alguns anos, uma mulher que tivesse desejo sexual e orgasmo era tida como doente, como possuidora de furor uterino.

                  Por conta desta dinâmica, a sexualidade tende a ser vivida como uma ação mecânica, onde o homem possui o objetivo de “cumprir seu papel de macho” (ter uma excelente ereção) e satisfazer a parceira (o famoso bom de cama). A mulher se preocupa em satisfazer seu parceiro e agradar sempre para não ser rejeitada.


           

                É evidente que construindo e vivendo relações desta natureza, a experiência sexual se torna pesada, podendo gerar bloqueios sexuais e emocionais para ambos os sexos.       


O sexo é fonte de prazer! E, sendo a pele o principal órgão sexual, sua exploração levará à descoberta de uma fonte inesgotável de zonas erógenas.


                   Assim, para viver a sexualidade em sua plenitude é preciso deixar o corpo falar, rever mitos, desorganizar padrões, deixar de lado a ansiedade em ter um desempenho nota dez, libertar-se da culpa, da vergonha e do medo, permitir-se à entrega, saborear, “sair do ar”!




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