O QUE TEM A VER O RALADOR E O RELACIONAMENTO?


“Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.”
Millôr Fernandes

Fusão gera confusão, distanciamento gera esquecimento. Então, vamos ralar para se relacionar.

A convivência é desafiadora!

Eu me refiro não só às relações afetivo-sexuais, mas àquelas do cotidiano da vida: as profissionais, familiares até o esbarra-esbarra com vizinhos.

Aqui vou me deter ao relacionamento romântico; não no sentido do ideal platônico, falo das escovas de dente guardadas no mesmo banheiro, aquela relação em que dividimos o armário, as contas e as tarefas de casa (???).

Em minha tese de doutoramento “Todo corpo tem relação. Toda relação tem corpo.”, trabalhei sobre a formação e a manutenção dos relacionamentos e apresentei uma proposta: o casal para manterem-se juntos precisa “dançar o dois pra lá, dois pra cá”; ou seja, transitar entre estar consigo e estar com outro. Isso quer dizer que devemos (para o bem geral da nação/relação) manter nossa identidade, nosso mundo de interesses, nossa forma própria de existir. Em outro momento, abrir um pouco mão de si (só um pouco) para estar com o outro, num encontro onde prevalece o bom para os dois, não o ideal, mas o que é possível.



Não dá mais para ficar buscando a cara-metade, metade da laranja, ou alma gêmea!





Se não formos capazes desse gerenciamento, estaremos correndo o risco de ficarmos focados em nosso umbigo – “é o que quero, eu sei o que é certo; tem que ser agora”; ou deixamos de existir – “você é quem sabe; o que for melhor para você; deixa pra lá, você é quem sabe”.

Erich From, humanista alemão do século XX, afirmou que amar dá trabalho. Isso mesmo, é ralação!

Requer um esforço contínuo para organizar e agir com atitudes de cuidado, de dar importância ao outro, de compartilhar conquistas, medos, dores e delícias e de cooperar para o crescimento pessoal e relacional; assim nos ensina Stanley Keleman, criador da Psicologia Formativa.

A real ação é de construção diária, de investimento mútuo e constante, de negociação num jogo do ganha-ganha.

E então ... bora ralar pra se relacionar!



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