OS 3 Gs


“Que a felicidade não dependa do tempo, nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro. Que ela possa vir com toda simplicidade, de dentro para fora... Para que tenhamos certeza de que: Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade.”
 Carlos Drummond de Andrade


Há algum tempo escrevi sobre felicidade – “O que realmente nos torna felizes?”. Este é um assunto que me chama especialmente a atenção.

Em meu texto menciono alguns elementos que, conforme pesquisas, funcionam como motivadores para o sentimento de felicidade, tais como: estar vinculado a si e ao outro; respeitar a individualidade, sem, contudo, ser individualista; ter a capacidade de reconhecer os próprios talentos e os dos outros; respeitar limites; validar o que possui ao invés de ficar na lamentação da falta; ter projetos de vida!

Em nenhum momento fala-se de ter muito dinheiro, apesar de a maioria das pessoas pensarem assim.
Em novas leituras percebi outros três elementos com força motivadora para gerar a alegria de viver – gentileza, gratidão e generosidade! São elementos que se interligam e, de certa forma, resumem os fatores acima.


Começo pela GENTILEZA. A gentileza não tem nada a ver com ser educado (apesar de ser muito importante sermos educados no dia a dia), está relacionada ao cuidado. De acordo com a monja Coen, da Comunidade Zen-Budista Zendobrasil, gentileza “é um cuidado com o outro que sou eu”. 
É desejar ao outro o que espera para si. É propiciar, sempre que possível, o bem-estar. É acolher. É ter paciência e tolerância, sem ser condescendente. É desejar o bem! Claro que tais atitudes, antes de tudo, precisam refletir a relação que temos com nós mesmos.
As palavras do Profeta Gentileza nos ensinam: “Gentileza meus filhos. Não usem problemas. Não usem pobreza. Usem amor. E a natureza tem beleza, bondade e ri”.



Agora a GRATIDÃO. Este sentimento relaciona-se à satisfação pelo que recebemos de alguém e, mesmo, da vida. Trata-se de uma apreciação positiva do que vivemos e que nos desperta o querer bem.
Em Spinoza, a gratidão impulsiona o “amor recíproco” - "O reconhecimento ou gratidão é o desejo ou o zelo de amor pelo qual nos esforçamos em fazer o bem àquele que o fez a nós, em virtude de um sentimento semelhante de amor por nós."¹
Sentir-se grato e expressar-se assim funciona como um grande antídoto da autopiedade e da vitimização. Além disso, pesquisas apontam que gentileza é um elemento importante para o bem-estar psicológico e social.


Por fim, a GENEROSIDADE. Podemos entender generosidade como a habilidade de compartilhar algo de valor como: atenção, proteção, querer bem.
Para a filosofia Budista, a generosidade pode ser expressa de quatro maneiras: compartilhar ensinamentos que levem à paz interior; compartilhar bens materiais; oferecer proteção, consolo e coragem; oferecer amor (apoio emocional, tempo, boas vibrações, energia positiva).
São grandes desafios! Não sugiro que devamos viver como monges, mas podemos exercitar um pouco cada atitude, conforme nossas possibilidades.



Estudo de um neurocientista brasileiro – Dr. Jorge Moll – revela que as áreas do cérebro ativadas em situações de generosidade são as mesmas ligadas ao prazer – o sistema de recompensas. Ele afirma que os seres humanos são os únicos animais capazes de se sacrificar por um ideal ou por um desconhecido.
Enfim, a prática da generosidade envolve o jogo do “ganha/ganha”. Ou seja, o reconhecimento de que o sucesso de um está atrelado ao sucesso de outros. É pensar no bem-estar do coletivo, como sua equipe de trabalho, seus vizinhos, seus amigos...



Viver os 3 Gs exige uma prática diária, uma atenção constante e requer um esforço voluntário e deliberado. Não precisa ser nada muito grandioso, basta dar um bom dia ao entrar no elevador, agradecer à empacotadora do supermercado, pensar em algo possível que você possa doar.

A felicidade não está ligada à aquisição de bens e valores (não que desejar conforto e tranquilidade financeira seja anti qualquer coisa). Ser feliz é um estado subjetivo de satisfação com o que se tem e com o que se é; bem diferente do prazer, que é momentâneo (e bem gostoso!). A alegria de viver deve existir independentemente das adversidades. 


Bora ser feliz!!!



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