NY RECEBE O PRIMEIRO MUSEU DO SEXO DOS EUA
Por Giuliana Aflalo Lopes Barbieri
Inaugurou-se, em outubro, em Nova York - EUA, o MoSex. Na cidade cujo símbolo é a maçã do pecado, Nova York até que demorou a ganhar o seu Museu do Sexo.
Atrás de cidades como Hamburgo, Copenhague, Paris e Amsterdã, esse é o primeiro Museu sério dedicado ao sexo que abre as portas nos Estados Unidos, um país altamente conservador. Mesmo assim, a cidade sempre esteve na vanguarda sexual do mundo. Lá surgiu o primeiro movimento de sadomasoquismo da América e também ocorreu a revolta de Stone Wall no West Village, que foi a pedra fundamental do movimento gay, além de lutas pela emancipação feminina e liberdade sexual.
O Museu levou quatro anos para ficar pronto e está situado em área nobre, entre escritórios da Quinta Avenida. Para começar, a instituição inaugurou a exposição 'Sexo em N.Y.: Como a cidade de Nova York transformou o sexo nos Estados Unidos'.
A exibição inaugural mostra cenas de prostituição da cidade, controle de natalidade, fetiches, liberdade sexual, legislação sobre sexo, entre outros temas. Traça um panorama sexual da cidade a partir de meados do século XIX por meio de fotos, cartazes, cartas, obras de arte, objetos, documentos, desenhos animados, filmes e recortes de jornais. Trata-se de uma compilação de coleções públicas e privadas que traz à tona o sexo, no passado e no presente, e sua influência no comportamento da sociedade.
Com entrada proibida para menores de 18 anos, os ingressos custam U$17, quase o dobro dos demais museus, como o Metropolitan.
Outro exemplo de como o assunto tem um tratamento sério é a origem de seus curadores e o Conselho de Assessores do museu, que tem 14 membros, a maioria acadêmicos.
Aos 34 anos, o fundador e primeiro diretor do Museu do Sexo, Daniel Gluck , ex-proprietário de uma empresa de softwares, prevê que 100 mil pessoas venham a visitar a mostra em seus dez meses em cartaz, derrubando os argumentos dos investidores mais receosos, principalmente os que se preocupam que, após 11 de setembro, a cidade não se sinta especialmente sexy.
A iniciativa teve a participação e o financiamento de centros como o Instituto Kinsey, que faz pesquisa nas áreas de sexo, gênero e reprodução e colocou à disposição seus arquivos, e a Lesbian Herstory, fundação sem fim lucrativos que acumula material sobre o lesbianismo.
A coletânea de material é impressionante e instrutiva. Além de educar, apresentando um resumo da história da militância pela liberação dos costumes sexuais, o MoSex tem também o objetivo claro de entreter. Por exemplo: fica-se sabendo que, ao contrário da crença popular, Gypsy Rose Lee não inventou o strip-tease. Em 1927, quando Louise Hovick, 19 anos, fazia furor sob o nome Gypsy Rose, muitas garotas estavam ficando peladas no teatro dos quatro irmãos Minskys, na Broadway. A lenda aponta como nome principal da história do strip-tease Gypsy Rose, mais por suas formas do que por seu pioneirismo.
Ralph Whittington, um ex-arquivista da Biblioteca do Congresso de Washington, considerado o maior colecionador de literatura e filmes pornô do mundo, também contribui para o acervo da instituição.
Uma parte da renda dos ingressos será revertida para a ACRIA (uma organização que faz pesquisas sobre a Aids), o Kinsey Institute e os Arquivos Históricos do Lesbianismo.
MUSEU DO SEXO
233 Fifth Avenue, com entrada na 27th Street - New York, NY 10016
Tel: (212) 689-6337
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