O que é Psicologia formativa

*Bases Teóricas da Psicologia Formativa® 




A Psicologia Formativa
® tem como base filosófica a fenomenologia e sua visão do ser humano está calcada na realidade dos processos biológicos e na inseparabilidade entre vida subjetiva e vida somática. A teoria formativa vincula o processo biológico ao processo subjetivo-existencial humano, estabelecendo um campo de conhecimento onde a subjetividade e o processo corporal são vistos como um contínuo, uma mesma realidade. Todo evento humano é parte de uma organização somática maior e inclui uma atitude emocional, um padrão de pensamento, de comportamento, uma maneira de imaginar e de sentir. Vísceras, nervos e músculos interagem entre si e com o seu cérebro, formando relações que nós expressamos em linguagem, pensamento, sentimento, imagem, sonho e comportamento. A experiência subjetiva se forma a partir da realidade do processo somático, da experiência corporificada. 

A Psicologia Formativa
® é uma abordagem evolutiva que trata o corpo humano como uma jornada de crescimento e amadurecimento, um processo subjetivo vivo movendo-se continuamente na direção de formar a si mesmo, crescer e amadurecer. O corpo é um processo formativo organizado em uma série de formas somático-emocionais que aparecem e desaparecem ao longo do tempo, da concepção à morte. Essas formas vão se adicionando em camadas ao longo da nossa existência e co-existem em nós superpostas. A maneira pela qual recebemos ou resistimos às transições de forma ao longo da vida, afeta a organização da nossa adultez e molda nossa capacidade de aprofundar e amadurecer. 





Temos um corpo herdado e um corpo formado interagindo entre si. O corpo herdado geneticamente nos confere uma estrutura constitucional que irá influenciar nosso estilo de viver. A psicologia formativa
® baseou-se na tipologia criada por W. Sheldom para organizar o conceito de corpo herdado, calcado no processo de desenvolvimento embriológico. As interações com o nosso legado genético e com o ambiente social no qual estamos inseridos, geram a organização de um corpo pessoal, o corpo formado. 

Quando enfrentamos um desafio, uma ameaça ou um insulto, organizamos uma sequência de respostas somáticas em cadeia, geneticamente dadas: assumimos uma atitude alerta, inflamos o peito, aceleramos o ritmo cardíaco e aumentamos o tônus muscular nos prontificando para agir. Diante do término da situação inicial podemos retornar à pulsação original, desorganizando as respostas de emergência acima descritas. Porém, se o insulto persiste ou retorna, ou é grave e intenso, alteramos nossa postura para lidar com esta realidade. Mudamos nosso padrão de pulsação, de respiração, nosso tônus muscular, os níveis de secreção hormonal, a consistência dos nossos tecidos e a geografia dos nossos espaços internos. Formamos posturas somatico-emocionais com mais ou menos tonicidade e maleabilidade, organizando os tipos somáticos inflado, poroso, rígido ou denso . Cada estrutura somática tem uma lógica própria e um padrão emocional que organiza um modo de se relacionar consigo e com o outro. A estrutura somático-emocional que formamos para lidar com os desafios da vida, sejam eles internos ou externos, é a nossa marca peculiar, nossa singularidade.

O objetivo do soma é perpetuar a si mesmo, formar um futuro e pessoalizar o seu legado genético através da organização de uma relação consigo mesmo. Esta relação intra-pessoal possibilita-nos diferenciar-nos do todo e formar uma individualidade. A estrutura corporal de uma pessoa expressa sua história pessoal, sua maneira de estar e relacionar-se no mundo. Quando trabalhamos com alguém lidamos com a lógica daquela forma somática e com o conjunto de regras internas daquela pessoa. A capacidade de dialogar internamente, de influenciar a si mesmo e de intervir no próprio processo, marca da subjetividade humana, é mediada pelo córtex cerebral. A função volitiva do córtex cerebral e o esforço muscular voluntário possibilitam este diálogo do corpo consigo mesmo. A metodologia formativa repousa sobre esta base. 






A Metodologia Formativa 

Keleman criou uma metodologia que nos possibilita experimentar nossos padrões de organização e influenciá-los através do uso do esforço muscular voluntário. A metodologia formativa, ou a “Prática de Corpar ” trabalha com o contínuo pulsatório inato de contração e expansão presente em nossas células e tecidos e com a relação entre corpo e cérebro. A capacidade volitiva do córtex cerebral nos possibilita alterar muscularmente nossas posturas emocionais e formar novos padrões de comportamento. A metodologia propicia à pessoa influenciar a si própria e participar assertivamente do seu processo de auto-regulação e de suas transições de forma. Através do uso do esforço muscular voluntário, os exercícios possibilitam alterar padrões de organização somático-emocionais influenciando nosso estado interno e nosso senso de identidade.

O trabalho formativo busca dar forma e aprofundar o diálogo do corpo consigo mesmo, dando voz à realidade interna que existe em cada ser humano e possibilitando a corporificação desta realidade como uma presença pessoal subjetiva. A metodologia visa proporcionar à pessoa uma maneira de organizar a experiência do seu processo, influenciar a si mesma e organizar um conjunto de valores pessoais baseados na sua experiência.

“...A Prática de Corpar começa no córtex organizando a habilidade volitiva deste para influenciar seu próprio comportamento e para gerar maneiras possíveis de estarmos no mundo corporalmente. Os exercícios ajudam a reorganizar os fluxos de excitação e urgência, tornando-os expressões de afeição e organizando vínculos duradouros...” (Keleman, 1997:6)

A Prática de Corpar - os Cinco Passos:

1. Perceber como você está presente corporalmente.
2. Intensificar a sua postura através do esforço muscular voluntário, em etapas.
3. Desfazer a intensificação da forma em etapas gerenciadas.
4. Pausar para receber suas respostas somáticas.
5. Consolidar a organização que aparece, dando-lhe firmeza e duração.

Os passos dois e três formam uma pulsação: contrair e expandir, para o mundo e para si, intensificar e desintensificar. Expandir evoca o reflexo de contrair, e contrair evoca o seu oposto, expandir. Ao praticarmos nos dois sentidos colocamos em andamento um processo de re-organização interna que implicará em um novo padrão pulsatório e uma nova forma corporal. Este embrião de uma nova forma-pulsação se manifesta no estágio quatro, palco das novas possibilidades de corpar . No estágio cinco cabe-nos corpar a forma que emerge e consolidá-la, conferindo-lhe duração através do esforço muscular.




O exercício formativo sustenta o pulso organizador e a tensão entre as posturas através da capacidade de inibição do movimento. A prática de corpar torna o pulso interno disponível para a influência voluntária. Este pulso é um mestre interno que nos auxilia a organizar e a somatizar as diferentes camadas do corpo. Ao trabalharmos com a metodologia organizamos um espaço para receber e corporificar nossas respostas. O exercício nos possibilita estabelecer distinções dentro de uma mesma organização, gerenciar nosso comportamento e definir uma identidade.

Ao trabalhar com a capacidade volitiva do soma, a metodologia formativa nos possibilita influenciar as formas emocionais que corporificamos e os padrões de comportamento que as acompanham. Nos grupos e workshops trabalhamos para aumentar a nossa capacidade de influência sobre nós mesmos e sermos agentes do nosso destino.

Referências Bibliográficas: 

Teixeira, Iracema e Cohn, Leila. A Psicologia Formativa
®: uma abordagem somático-emocional , em Anais do 2o Forum do Curso de Pós-Graduação em Terapias Corporais: Fundamentos Teóricos . Instituto Brasileiro de Medicina e Reabilitação. Coordenção de Pós- Graduação e Pesquisa, 2001. 
Keleman, S. (1987) Embodying Experience . Berkeley, CA: Center Press.
» (1985) Emotional Anatomy . Berkeley, CA: Center Press.
» (1999) Myth and the Body: a colloquy with Joseph Campbell . Berkeley, CA: Center Press
» (1989) Patterns of Distress . Berkeley, CA: Center Press.
» (1979) Somatic Reality . Berkely, CA: Center Press
» (1991) “Maturiry - Somatic Appearances Rippening” Summer Institute-Berkeley, CA
» (1995) “Deepening Our Interiority: Dreams, Soma and Maturity” Winter Institute- Berkeley, CA
» (1997) “Being an Adult: Age and Identity” Summer Institute-Berkeley, CA
» (1998) “Dreams and Deepening the Adult” Winter Institute-Berkeley, CA
» (2003) "More and Less Voluntary Muscular Effort" texto transcrito de palestra em Berkeley, CA, a ser publicado na edição alemã de Insultos à Forma.
» and Russel, David (1993) Who Owns the Body? The Life and Work of Stanley Keleman . University of California, Santa Barbara.
Library Oral History Program.
Ribeiro, Ana Rita e Magalhães, Romero. (1997) Guia de Abordagens Corporais . Summus Editorial.


*Texto extraído do site www.psicologiaformativa.com.br  
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